A Coccicidiose é uma doença ocasionada por um protozoário pertencente ao gênero Eimeria spp., envolvido no acometimento dos passeriformes, pássaro de pequeno e médio porte como bicudos, curiós, canários, periquitos e psitacídeos como araras, papagaios, cacatuas e calopsitas, relata-se que os protozoários de maior ocorrência são do gênero Isospora.Age no Trato Gastro Intestinal (TGI), vive intracelularmente no epitélio intestinal, das aves, e ao longo do desenvolvimento de seu ciclo de vida causam lesões nas mucosas do TGI, alterando o processo digestório e comprometendo a absorção de nutrientes, há ainda um efeito sinérgico da coccidiose com outras doenças, sendo mais severos do que quando ocorre sozinha (ALLEN & FETTERER, 2002).
Proporção de destruição dos tecidos:
Estima-se que 2048 células intestinais serão destruídas para cada oocisto que for ingerido, estas células intestinais, que são responsáveis pela absorção de nutrientes como, vitaminas, sais minerais, carotenóides, carboidratos, lipídeos, proteínas, água, e alguns medicamentos, são impedidas de funcionarem.
Proporção de crescimento do parasita:
Como na multiplicação das coccidias pode haver repetição do ciclo assexuado antes de completar o ciclo sexuado, teremos um crescimento deste parasita em progressão geométrica.
Tempo de eliminação do parasita:
Estes oocistos começam a serem eliminados nas fezes das aves, após três dias da contaminação pelas coccidias. As aves não eliminam oocistos todos os dias nas fezes. Os exames diagnósticos podem ser refeitos em dias variados.
As fêmeas em época de reprodução apresentam uma diminuição nas quantidades de enzimas digestivas e sais biliares, reduzindo a contaminação e a contagem nos exames de fezes, mas em outra fase do ciclo tornam-se susceptíveis, porém sempre em menores proporções que os filhotes e os machos.
As coccidias dificilmente são eliminadas do plantel, mas os surtos só ocorrem quando as aves não foram submetidas à um planejamento preventivo, antes de entrar em reprodução, através de exames de fezes para diagnóstico e controle do efeito dos tratamentos, e imunização controlada.
Cada tipo de coccidia possui uma área de predileção no intestino para o desenvolvimento do seu ciclo vital.
Não existe imunidade cruzada entre as coccidias.
As variações das espécies deste protozoário são responsáveis por conferir a especificidade ao hospedeiro, ou seja, é o que determina a restrição de um parasita a um ou mais tipo de ave.
A infecção ocorre através da ingestão de alimentos e/ou água, contaminados com oocitos esporulados, ( fase especifica do ciclo de vida e desenvolvimento do protozoário).
Em aves necropsiadas, retira-se o tubo digestivo e observa-se macroscopicamente a mucosa externa e interna. Para cada oocisto que é eliminado nas fezes corresponde a uma célula intestinal morta. Temos lesőes intestinais catarrais, hemorrágicas, necróticas em várias porçőes do intestino e em diferentes profundidades na parede intestinal.
PROGNÓSTICO
Nas formas agudas o prognóstico é sempre desfavorável pelo grande número de mortes de aves e recuperação lenta dos doentes.
Nas formas subclínicas (presença de oocistos nas fezes sem sintomas) e crônicas o prognóstico e reservado a bom, porém com prejuízos na reprodução com grande número de ovos brancos, fêmeas não reproduzindo, filhotes fracos e mortalidade.
SINTOMATOLOGIA
Os Sinais clínicos da coccidiose incluem perda de peso, alteração da coloração das penas, anemia intensa, penas arrepiadas, diarréia com presença ou não de muco esbranquiçado e/ou sanguinolento, desidratação, diminuição do consumo de água e alimentos, acúmulo de fezes na cloaca, abdome inchado e dolorido, seguida de prostração podendo levar a morte, já em sua forma mais grave causa uma destruição da mucosa, hemorragia, e formação de exsudato caseoso no lúmen do ceco.
As variações podem ocorrer conforme as espécies de coccídios envolvidos na infecção e da sua patogenicidade, conforme mencionado acima. no caso dos
Para identificar a coccidiose e adequar o tratamento, é necessário consultar um médico veterinário.
CICLO DE VIDA
As aves infectam-se ao ingerir oocistos esporulados, os oocistos têm sua parede rompida pela ação mecânica da moela, liberando os esporocistos que após sofrerem ação da “tripsina quinase” tem os esporozoítos liberados (ALLEN & FETTERER, 2002).
A primeira fase é chamada de esquizogonia, ou fase assexuada, e tem início com a invasão dos enterócitos pelos esporozoítos, formando o esquizonte, unidade repleta de merozoítos (DANFORTH, 1999).
A fase sexuada ou gamogonia tem início ao final da fase assexuada quando a ultima geração de esquizontes penetra em novos enterócitos diferenciando-se em macrogametas (gametas femininos) e microgametas (gametas masculinos), posteriormente o macrogameta é fecundado pelo microgameta, formando o oocisto e finalizando a fase endógena a parede celular é formada, e o oocisto “imaturo” liberado na luz intestinal (ALLEN & FETTERER, 2002).
A fase externa, também chamada de esporogonia ocorre mediante algumas condições determinantes de temperatura, umidade e oxigênio, outra característica intrínseca do gênero Eimeria é a condição de especificidade, ou seja, parasitam apenas uma espécie de hospedeiro, todavia, varias espécies podem estar envolvidas em um quadro de coccidiose (KAWAZOE, 2000).
coccidiose-2006-3-728
Fonte: Slide Share
MEDIDAS PROFILÁTICAS / MANEJO PREVENTIVO
A prevenção e o controle, baseiam-se principalmente em desinfecção local/ambiente, mantendo as instalações com níveis adequados de higiene, alimentação de qualidade e adequada lotação animal por área.
O uso de anticoccidianos nas rações ou até mesmo o uso de vacinas existentes no mercado também são considerados métodos profiláticos, em função de que os oocistos deste protozoário permanecem viáveis por mais de um ano no ambiente em condições ideais de temperatura e umidade (ALLEN & FETTERER, 2002).
A coccídeos em passeriformes e psitacídeos de vida livre é uma enfermidade emergente devido a perdas de habitats naturais, ao acúmulo de populações e principalmente devido a situações de apreensões ilegais que são muito frequentes em aves silvestres.
ANTICOCCIDIANOS
São agentes químicos, desenvolvidos e empregados na utilização na tentativa de minimizar os danos causados por está doença.
Iniciou-se com o uso de enxofre em 1935, em 1940 descobriu-se a eficácia na utilização de sulfonamidas, em 1950 a nicarbazina e na década de 1970 os antibióticos ionóforos.
A busca por medicamentos anticoccidianos com maior alcance e menores efeitos indesejáveis é continua, minimizando assim as perdas.
MECANISMO DE AÇÃO
Os medicamentos anticoccidianos podem ser utilizados no tratamento preventivo ou curativo da coccidiose.
Atualmente os compostos quimioterápicos (compostos químicos sintéticos), e os ionóforos (produzidos a partir de fermentação de vários microrganismos), são os mais utilizados.
Os ionóforos provocam o desequilíbrio osmótico das Eimerias, com maior perda de energia na bomba de Na-K, ocorrendo sua vacuolização. Atuam geralmente na fase inicial da vida das Eimerias, podendo ser coccidiostáticos, (interrompendo o ciclo do parasita sem destruí-lo) e/ou coccidicidas( matando os parasitas).
Os compostos químicos atuam em diferentes pontos do metabolismo das Eimerias, em distintas fases do ciclo de vida agindo como coccidiostáticos ou coccidicidas.
Fonte: Avicultura SP
Comentários
Postar um comentário